Graças à omissão pecaminosa – porquanto, intencional dos Deputados Federais e Senadores que têm integrado o Congresso Nacional ao longo dos últimos 20 anos, a partir da promulgação da Constituição Federal que aí está, plena de vícios e casuísmos, a Reforma Política de que o Brasil tanto necessita para pôr fim à orgia eleitoral e partidária que tem marcado a vida pública do país, mais esta vez, vamos ter eleições sem que o Povo – que é a peça principal da engrenagem, participe de forma autenticamente democrática, pois que, como de outras vezes, os eleitores estão sendo convocados para votar em candidatos escolhidos, a dedo e, ao sabor das conveniências pessoais das cúpulas partidárias, sem a mínima participação, sequer, das militâncias partidárias que continuam sem vez, sem voz e sem direito a voto na hora das escolhas dos respectivos candidatos. Mais esta vez, vamos ter que conviver com o instituto espúrio e ante-renovatório da reeleição, pois, a quase totalidade dos Prefeitos e Vereadores que estão no exercício do Poder, concorrem às eleições em busca de um novo mandato. Quem é e/ou está Prefeito pela primeira vez, luta por um segundo mandato. Outros, que já exerceram por diversas vezes a função, após um interregno de 4 anos, lutam por um novo mandato. A propósito, nos Estados Unidos – onde o sistema político é mais democrático e cada Partido só escolhe candidatos a cargos executivos após manifestações expressas das ruas -, o ex- Presidente Bill Clinton só não foi candidato a um terceiro mandato, porquanto, já tinha sido eleito e reeleito anteriormente. Por isso sua mulher, a Senadora Hilari Clinton foi candidata e, após perder a indicação para o Senador Obama, rendeu-se a essa decisão, e, juntamente com o Ex-Presidente participam, ativamente, da campanha eleitoral mais importante e que mais repercute na vida política e econômica de todos os países do continente. Belo exemplo de democracia, com clara e transparente participação popular! Aqui, ao contrário, hoje como antes, vamos ter candidatos a Vereador concorrendo a uma 5ª ou 6ª reeleição sem nenhuma consulta prévia às ruas! Nem mesmo as respectivas militâncias partidárias são chamadas a opinar! Nada contra a pessoa dos candidatos! Nada contra, também, às pessoas dos que integram as cúpulas partidárias! Afinal, eles agem em absoluta conformidade com as Legislações Eleitoral e Partidária vigentes!. Estas, sim, ante-democráticas e de natureza canalha, porquanto, enganadoras e estimuladoras das práticas venais que fazem com que, da noite para o dia, uma simples canetada, de uma Comissão Provisória Estadual, destitua do Poder os dirigentes municipais, também provisórios, dos respectivos Partidos. Ainda por cima, permitem que tais Comissões Executivas Municipais Provisórias lancem candidatos às Prefeituras e às Câmaras Municipais! Mais esta vez, somos forçados a conviver com situações estranhas e abomináveis de termos candidatos a Vereador com 3, 4 e 5 mil votos, perdendo a eleição para outros, de outros Partidos, com pouco mais de 1.500 votos! Também, pudera! Temos Senadores com zero votos e Deputados Federais que foram eleitos com 200 e poucos votos apenas! Tudo isso em razão da existência, entre nós, do sistema de eleições proporcionais para os cargos do Poder Legislativo onde os mais votados nem sempre são os que se elegem. Vale dizer; mais esta vez, estamos diante de uma farsa eleitoral da qual, por força do voto obrigatório, querendo ou não, vamos ter que participar. Tudo isso e muito mais, porque o Congresso Nacional, venal e omisso, onde muitos se revelaram “vampiros”, não se dignou a fazer a reforma política e, a bem da verdade, não a fez porque não quis, já que, via de regra, só faz o que mandam os umbigos e bolsos da esmagadora maioria dos Deputados Federais e Senadores que o integram! O ideal seria que ao TSE – em parceria com a sociedade civil organizada – fosse entregue essa importante tarefa! Afinal, não é justo que os inscritos para o concurso público elaborem – eles mesmos – as questões das provas a que terão que se submeter!
LUIZ ABRAHÃO SEFAIR