Sempre entendi que um dos mais graves erros que todos os governos praticam, é o de tratar igualmente pessoas e situações desiguais. Exemplos maiores dessa triste realidade, são as questões relacionadas com os salários pagos aos profissionais do ensinar e, por extensão, aos que são pagos à maioria dos demais assalariados do país, tanto os do setor público, quanto os da iniciativa privada. Cerca de 90% dos aposentados – os que trabalharam 30 ou 35 anos! - estes, coitados, além de injustiçados, ainda são humilhados e desrespeitados pelo Poder Público que insiste em excluí-los do rol dos brasileiros que se esforçaram em favor da Pátria. No mais das vezes, são tratados como seres descartáveis, e, portanto, inúteis! Vale dizer: os trabalhadores mais bem preparados, mais competentes, mais sérios e mais responsáveis, em geral, recebem como contra-prestação dos serviços prestados, exatamente o mesmo salário que é pago àqueles que, embora portadores da mesma qualificação profissional, não desempenham suas atividades laborais com o mesmo senso da responsabilidade profissional, não têm a mesma eficiência e o resultado dos seus respectivos deveres funcionais não alcançam a mesma eficácia. Ora, nada mais desestimulante para um trabalhador competente, responsável, que cumpre com os seus deveres funcionais com seriedade e zelo, com respeito absoluto aos valores morais e éticos, do que saber que um colega de profissão, por força da Lei, mesmo sendo relapso, irresponsável e inútil, recebe, ao final do mês, o mesmo valor, os mesmos benefícios e as mesmas recompensas. Nestes casos, como em muitíssimos outros, a justiça é injusta, pois, nunca está presente. Incrível! Nossos legisladores, quando da elaboração do Código Penal e do Código de Processo Penal – e da própria Constituição Federal, como um todo , cometeram o mesmo erro e, por conta disso, nossas autoridades judiciais acabam cometendo clamorosas falhas quando, à luz da Lei, têm que tomar decisões e proferir sentenças sob os olhares críticos de toda a sociedade que, no mais das vezes, não tem conhecimento das causas. Exemplo claro dessa triste realidade – para citar apenas um, e, talvez, o mais grave! -, é o caso do Senhor Paulo Maluf que, há mais de 25 anos tem sido, repetidamente, acusado de crimes contra os cofres públicos, lavagem de dinheiro, remessa de dinheiro público para o exterior de forma ilegal, entre outros e que, há menos de um ano, chegou a ser preso, juntamente com um dos seus filhos – e comparsa! -, durante cerca de 40 dias, e, mesmo não tendo conseguido provar sua inocência em nenhum dos crimes que originaram a prisão, foi solto e, com base na pecaminosa fragilidade da Legislação Eleitoral, pôde concorrer às eleições em outubro de 2006 e, graças aos mais de 500 mil eleitores irresponsáveis e apátridas que lhe votaram, integra, mais esta vez, o Castelo Nacional dos Vampiros que, em outros bons e saudosos tempos, atendia pelo nome apropriado de Congresso Nacional onde, apesar dos Maluf, dos Jader Barbalho, dos Waldemar Costa Netto, dos Renans Calheiros e tantos outros – seus iguais! -, por certo, ainda devem atuar cerca de 20% de parlamentares ilustres, probos o que – pasmem ! – representa apenas pouco mais de 100 de um total de quase 600 parlamentares. Diante desse quadro desolador, que tal se começassem a fazer JUSTIÇA neste país tratando bandido como bandido e mocinho como mocinho? Que tal se os acusados por crimes de corrupção, fossem julgados, sumariamente e, em caso de condenação, ficassem impedidos, para sempre, de concorrer a quaisquer eleições. Desde síndico de prédio ou Presidente de SPM, até Presidente da República? Não seria isso um bom e eficiente princípio da faxina geral de que tanto necessitamos?
LUIZ ABRAHÃO SEFAIR