Soube, pela Imprensa, que o V.Exa., caro Deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), acaba de abrir uma licitação para contratar serviços de engraxataria para a Câmara dos Deputados e que o respectivo custo desse serviço será de R$3.125 milhões por 12 meses. Ora, serão despendidos cerca de R$261 mil por mês ou, cerca de R$8.400 mil por dia! A novidade, segundo consta, tem como objetivo manter os sapatos dos Senhores Deputados e Senadores, sempre bem brilhosos. Pois bem! Nos anais do Congresso Nacional estão registrados todos os meus passos durante todo o curto,mas, fértil período de 2 anos e 6 meses do mandato que se encerrou na data de 13/05/1986. Em 22/11/1984, por exemplo, em veemente pronunciamento que fiz da Tribuna, protestei contra o pagamento de um JETON aos Deputados e Senadores membros do Colégio Eleitoral que iria eleger, em 15/01/1985, o Presidente da República e o respectivo Vice. Pois bem! Graças a esse protesto – que teve intensa repercussão junto aos próprios funcionários da Casa -, o então Senador Moacyr Dalla, na condição de Presidente do Congresso Nacional, em reunião extraordinária datada de 05/12/84, entendeu de revogar a sua própria decisão anterior e os referidos JETONS, em vista disso, despencaram de R$2.969,321,70 para cerca de R$44 mil que era o valor de uma reunião Extraordinária. Na data de 22/11/85, em sinal de protesto contra a decisão do então Presidente José Sarney – com o respaldo majoritário da Bancada do meu Partido de então, o PMDB -, tive o grato prazer de fazer declaração escrita de voto contrário à Emenda Constitucional de nº 43 que propunha a convocação de uma Assembléia Nacional Constituinte Congressual e não exclusiva. Vossa Excelência poderá verificar às páginas 2333 do respectivo Diário do Congresso Nacional a íntegra desse meu voto com as justificativas necessárias. Neste caso, no entanto, não consegui o mesmo êxito, pois, a Emenda foi aprovada e, graças a isso, nasceu, em 05/10/2005, a mais apequenada CARTA MAGNA da história republicana deste país que atende pela alcunha de Constituição Federal. Em vista do exposto, caro Senhor Presidente, como cidadão brasileiro, em dia com o pagamento dos impostos, tomo a liberdade de sugerir-lhe, com especial respeito, que, após refletir sobre a questão em tela, resolva, nos termos regimentais, REVOGAR a decisão anterior de V.Exa. com o que, por certo, se evitará o gasto supérfluo representado pela implantação de um serviço tão desnecessário quanto inoportuno e, portanto, tão descabido. Até porque, os Deputados Federais e Senadores, estando em Brasília, não têm como sujar os próprios sapatos com poeira ou barro. Afinal, o mar de lama – podre e infecta – em que se transformou a vida pública brasileira, graças aos desmandos gerados pela insensatez e falta de espírito público patriótico por parte da esmagadora maioria dos agentes políticos eleitos e/ou reeleitos, é de natureza abstrata. Logo, não tem poder para sujar os sapatos dos principais responsáveis por essa transformação que, por conta disso, já estão com a alma e o caráter totalmente impregnados de manchas morais e éticas e uma engraxataria luxuosa como a que está anunciada, só vai servir para aumentar e realçar essa sujeira que precisa urgentemente ser removida. Não pelo brilho dos sapatos de cromo alemão dos lord’s brasileiros, mas, pela mudança de comportamento por parte daqueles que têm contribuído, através de sua atuação imprópria para que o Congresso Nacional se tornasse merecedor do apelido que as ruas lhe dão de “Castelo da Vampiragem Nacional”. Acorda, caro Senhor Presidente! O Brasil vai mal das pernas e um corte drástico nos gastos públicos com a eliminação do desperdício pode ser o primeiro grande passo para a recuperação da credibilidade perdida. Para tanto, no entanto, ao invés de mais privilégios para a classe política, temos é que eliminar os muitos já existentes.
LUIZ ABRAHÃO SEFAIR