A resposta, em sã consciência, é não! Louvo a intenção dos autores do ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente , mas, a bem da verdade, tudo o que tem acontecido contra os jovens e adolescentes, desde então, resulta de alguns equívocos e incoerências nele insertos! Ao proibir o trabalho para menores de 16 anos, por exemplo, o ECA deveria defender a implantação em todo o território nacional de um sistema educacional que adotasse o sistema de Escola Pública Integral o que, infelizmente, não ocorreu. A transformação do serviço militar obrigatório em serviço semi-profissionalizante é outra medida que já deveria ter sido tomada. Ora, a ausência da Escola Integral, no mais das vezes, estimula a vadiagem que é praticada não só nas ruas, mas, na maioria dos casos, dentro das próprias casas, diante, por exemplo, dos aparelhos de TV, dos vídeo games e do uso indisciplinado da internet – salas de bate papo, msn, por exemplo, etc. Resultado: Pais e Professores estão sendo prejudicados no cumprimento do seu principal papel que é EDUCAR nossas crianças e jovens, moldar o seu caráter preparando-os para os múltiplos e crescentes desafios da vida futura. Mas, a proibição do trabalho, a bem da verdade, não é o problema maior! A questão é que, nossas Escolas Públicas não oferecem vagas suficientes para atender à demanda que cresce de forma gigantesca e, ainda por cima, – com exceção de algumas poucas (CAIC’s) – não estendem os seus horários para educar, profissionalmente, os nossos jovens a fim de dar a eles o senso da responsabilidade ajudando-os a desenvolver sua auto-estima, se sentirem úteis e, portanto, valorizados e dignos, conscientes de que possuem inúmeros talentos que precisam apenas ser estimulados para que aflorem. Com a proibição legal do trabalho e a ausência de uma política educacional para jovens através de um projeto de ocupação sadia do tempo, nossos filhos, na sua esmagadora maioria, ficam entregues à ociosidade que é o primeiro passo para se tornarem presas fáceis de más companhias, e, portanto, vulneráveis. Graças a essa vulnerabilidade, muitos acabam fazendo o que não devem e são atraídos para o mundo da perdição e do crime onde imperam o tráfico e o uso de drogas, a prostituição, o desrespeito, os seqüestros, os furtos, os assaltos, os assassinatos, a corrupção, o desamor, enfim, a indisciplina e todas as demais formas de violência. As ruas, como sabemos, nunca foram uma boa escola! Mas, a TV brasileira, se tomarmos por base a programação perversa das principais emissoras, transformou-se numa Universidade do Crime, posto que, sobretudo, nos horários mais nobres, a ética e o respeito aos valores de família, deram lugar à Orgia Televisiva dos dias atuais. De forma bestial, nojenta e satânica, diante dos olhos omissos de sucessivos Governos, “nossa” TV, confunde liberdade de expressão, com libertinagem. Quase toda a programação é voltada para o consumismo e a banalização do sexo. Com isso, acabam poluindo as mentes das nossas crianças e jovens provocando, a desagregação das famílias o que, inevitavelmente, resulta na desintegração completa da sociedade como um todo, pois, a TV “proíbe” o diálogo entre Pais cujos Filhos, em conseqüência, não dialogam entre si. Enfim, um verdadeiro caos em termos de relação familiar! Ora, enquanto tivermos um ensino de má qualidade e os Governantes não se interessarem em criar regras disciplinadoras da programação de TV objetivando fazer com que esse importante veículo de comunicação social seja, eminentemente educativo e interaja com Pais e Professores, auxiliando-os na difícil missão de educar nossas crianças e jovens, moldar o seu caráter e prepará-los para os desafios da vida futura, não conseguiremos reduzir os índices de violência em nosso país. Para reverter situações como essa, a sociedade tem que sair da toca, deixar de ser egoísta, descruzar os braços e se mobilizar. Ter coragem cívica, portanto! Ainda há tempo! Basta darmos o primeiro passo!
LUIZ ABRAHÃO SEFAIR